Genderless: muito além do close

Genderless: muito além do close

Entender que um vestido é uma peça, não uma peça feminina, além de toda a questão mercadológica envolvida, permite que o consumidor fique a vontade para determinar como se sente mais confortável. E esse desejo pelo conforto, atrelado a autenticidade que as pessoas tem buscado, pode explicar o interesse pela quebra de paradigma que é ousar vestir peças designadas originalmente ao sexo oposto.


“Saias para homens, ternos para mulheres e as linhas que definiam o masculino/feminino vão se apagando.”

Carolina Althaller, analista cultural e pesquisadora de tendências.


O assunto voltou a ficar em evidência a partir de marcos importantes, como o desfile do inverno 2016 da Gucci, que colocou homens e mulheres vestindo as mesmas roupas, e a campanha de verão 2016 da grife Louis Vuitton, com Jaden Smith usando roupas tradicionalmente femininas. No entanto, o assunto já é pauta há bastante tempo.


Jaden Smith para a coleção verão 2016 da Louis Vuitton


Uma das entusiastas da ruptura de padrões de gêneros na moda foi a estilista Coco Chanel que, ainda na década de 20, gerou uma ebulição com suas criações inspiradas em peças designadas ao público masculino. No Brasil, podemos destacar alguns nomes que contribuíram, principalmente na história recente, para que o tema fosse discutido, como Ney Matogrosso, em suas performances icônicas, Dudu Bertholini, misturando peças masculinas e femininas, Walério Araújo, com sua ousadia indiscutível, e um dos maiores nomes atuais da moda brasileira, Alexandre Herchcovitch.


“Minha cliente mulher sempre comprou roupa de homem também. Nunca tive que mudar minha maneira de criar”

Alexandre Herchcovitch, estilista.


Em sua primeira coleção para a marca À La Garçonne, a Inverno 2017, Herchcovitch apresentou diversos looks que misturam itens originalmente reconhecidos como masculinos e femininos, frutos do processo de criação em tempo recorde, cerca de 45 dias.

No dia a dia, no ônibus e no metrô, fica mais difícil sair do padrão. Os olhares, o julgamento e a intolerância, muitas vezes, inibem as pessoas e as fazem se encaixar em caixinhas socialmente aceitas. É difícil, mas não impossível. Se você está lendo e não sabe como começar, vai pelos detalhes e, no fim, monte um look com o que te deixa mais feliz e confortável. Da moda, siga a ousadia e a coragem de ser quem é.

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